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Filipe Dias

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta ao Barbaças...

Caríssimo Pai Natal, antes de mais deixa-me tentar esclarecer uma coisa. Não és meu pai, portanto não te vou chamar pai, nem de Natal nem de Páscoa, nada. Não te vou chamar de vermelhão, pois ainda aparece aí a Fafá de Belém com o "meu coração é vermelho, de vermelho vive o coração eh óóó", estás a ver a cena. Barrigudo também não te chamo, pois já te vi tantas vezes em tanto sítio, e umas vezes apareces de barrigão, outras és um trinca-espinhas (deve ser da crise), não joga bem. Como apareces sempre é de barbas, vou chamar-te de Barbaças, pode ser? Seja...
Meu caro Barbaças, está a chegar o Natal. Dizem que nesta altura todos devemos ser melhores, como se não fosse para ser nas outras alturas do ano. Mas pronto, as pessoas tentam "ser melhores" nesta altura. Junta-se a família, junta-se o boi com a vaca e mete-se o miúdo nas palhas. Diz-se também que é tempo de virem os 3 Reis Magos nos camelos entregar presentes ao miúdo. Acho que agora, ou eles vêm de moto ou nunca mais chegam ao destino. É só a minha opinião.
Mas estava eu a falar de presentes. Não sei se sabes, mas o pessoal delira com os presentes no Natal. Pode não haver dinheiro para comer, mas tem de haver para aquele carro telecomandado da montra. Usam-se os cartões de crédito até mais não, e passa-se o ano seguinte a pagá-los! Mas os tugas são assim, tu já nos conheces, ou não fôssemos nós um povo à beira de um buraco quase tão grande como o do ozono.
Mas vamos aos presentes. Se o pessoal do governo os recebe sem fazer nenhum, eu que trabalho tenho o direito de pedir qualquer coisa. Ora, e assim começo a minha lista de presentes de Natal...
Barbaças, como já sabes eu não sou pessoa de pedir coisas. Fui habituado a não pedir, pois sabia que só me dariam algo se houvesse possibilidade disso. O que viesse era bem vindo. Agora, mantenho estes valores comigo. E sendo assim a minha lista de Natal deste ano resume-se a pedidos de sentimentos e atitudes. Sentimentos e atitudes que gostaria de sentir à minha volta, por mim, e para mim. Vou passar aos desejos.
Amor. Num mundo como este, onde todos estão virados para o seu umbigo, acho que desaprendemos a amar. Esquecemos os sentimentos, não os tornamos puros pois na realidade não nos empenhamos o suficiente. Desejava que houvesse esse sentimento para mim, por mim, e para os que me rodeiam. Amor da família, amor da(o) namorada(o) ou esposa(a), amor da amizade dos amigos. Barbaças, eu sei que é difícil, mas tenta fazer com que o pessoal ame mais, com pureza e sem maldade.
Amizade. Barbaças, tenho notado que a palavra amizade é um conceito muito frágil hoje em dia. Noto que as amizades são temporais, ocasionais, casuais. Custa-me dizer isto, mas sinto que "os amigos para a vida" já não existem, ou cansaram-se de lutar pelo verdadeiro sentido da amizade. As pessoas aproximam-se, tornam-se amigos, e depois se se têm de afastar parece que esquecem dos "amigos". Parece que já não há aquele desejo de manter as amizades que nos tocaram. Parece que a ideia de sacrifício por um amigo já não é real. Lembro-me em tempos de levar porrada por defender um amigo, lembro-me de sair de casa de bicicleta em pleno inverno gelado pois um amigo precisava de ir aqui ou ali. Lembro-me também de me desviar do meu caminho, pois alguém precisava de mim fora do meu caminho traçado. E hoje, actualmente, o que acontece? Falo por mim, e em diversas ocasiões, que sinto ou vejo acontecer casos de alguém não ir a algum lado ou fazer alguma coisa porque "não apetece", ou não dá jeito. Não sinto que as pessoas façam sacrifícios em prol da amizade. Eu sinto que faria o sacrifício de percorrer 50km se algum amigo precisasse de mim, sinto que me despacharia a correr se algum amigo precisasse de estar comigo daqui a 10min, sinto que sairia da cama às 3h da manhã se algum amigo precisasse que eu o fizesse. Mas isto sou eu. Infelizmente não vejo grandes demonstrações deste tipo de disponibilidade em muita gente. Sei que estou a abusar na questão da amizade, mas faz aí uma mágica que permita também às pessoas levar a sério o conceito de amizade no que toca à questão de contar com os amigos para um desabafo. Tantas e tantas vezes eu vejo e sei de situações e histórias que não era suposto saber pois alguém teria pedido para ser segredo. Tantas e tantas vezes eu sei de histórias espalhadas por alguém a quem eu pedi segredo. Barbaças, indicia às pessoas a amizade como um confessionário. Num confessionário nós podemos desabafar, sermos ouvidos, quiçá sermos compreendidos, e saber que a confissão não vai sair dali. Sigilo de confessionário, dizem os padres. Pois bem, haja também sigilo de amigo. Caro Barbaças, estou a pedir-te muito?
Honestidade e seriedade. Estes são sentimentos que andam interligados. Barbaças, faz com que as pessoas sejam honestas, sérias. Dou por mim a ver as pessoas a falarem umas das outras pelas costas. Dou por mim a ver uns enganarem os outros. E tanto que eu vejo, no que toca às pessoas a atirarem areia para os olhos uns dos outros. Até a mim, Barbaças, já me quiseram atirar tanta areia para os olhos. Acho que o que me vai valendo é o facto de eu usar óculos, e a areia bater nas lentes. Acho que é por isso que os tenho tão riscados. Mas adiante... Caríssimo, sei que é complicado, mas não podes fazer com que as pessoas façam o que dizem, e não o contrário? Actualmente dizem-me uma coisa, e fazem outra. Tem calhado muita vez eu estar a falar, desabafar, e até concordarem comigo, e depois vão comentar a este ou aquele que eu estou errado ou faço mal. Porquê, Barbaças? E as vezes que me dizem "fica descansado", "achas que vou contar a alguém?" e afinal vão mesmo! Achas bem? Não, pois não? Consegues resolver isso? Consegues que as pessoas sejam de confiança, sejam honestas? O mundo precisa de pessoas honestas. Para gatunos e chupistas já existe o staff do governo...
Alegria. Barbaças, tu já me conheces, sabes como sou. Estou sempre na palhaçada, sempre no gozo, tento sempre estar alegre e divertido e que todos estejam assim. Mando piadas, calinadas, digo parvoíces, faço-me de parvinho muita vez. Ora, o que te peço é que me dês ânimo para continuar assim. Como sabes eu tenho estas atitudes pois não gosto muito de falar a sério. Quando falo a sério é porque algo está muito mau. Tu sabes isso, barbaças. Consegues ajudar-me? É que como sabes, há muita vez que tenho esta atitude alegre, mas estou desolado por dentro. Aparento leveza de espírito, mas há algo que me corrói o pensamento. Faço-me de forte, guardo os problemas para mim, mantenho-me na minha e de cara alegre, para que os outros não se apercebam nem fiquem preocupados. Todos têm os seus problemas, não precisam de levar com os meus. Ainda assim, às vezes vacilo no que toca a disfarçar. É aqui que te peço ajuda. Não me deixes vacilar. Dá-me uma dose extra de força interior para que não deixe transparecer o meu verdadeiro estado de espírito, não interessa se estou muito mal, muito desanimado, ou sem vontade de cá andar. Interessa sim que não transpareça isso. Pões alegria no meu sapatinho?
Companheiro Barbaças, estarás tu habituado a ter estes pedidos? Estarei a ser exigente demais?
Bom, Barbaças, sei que a carta já vai longa, mas espero que a possas ler com atenção, e que possas fazer algo por mim, pelos que me rodeiam, e pela população em geral... Força aí, se precisares de ajuda diz.
Vemo-nos no dia de Natal.
Um grande abraço...

Publicada por Unknown à(s) 18:03

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A Vida é muito curta...

Muitas vezes não temos noções do quanto a vida é frágil, do instante em que se pode desvanecer e não mais podermos fazer o que queremos, nem estar com as pessoas de que gostamos. Deparo-me já com várias situações, não ligadas a mim directamente, mas que me afectam. Situações das que num ápice parte alguém com quem lidamos.Hoje recebi uma notícia triste. Notícia essa que me fez lembrar de outras duas situações. No trabalho lido com várias pessoas, umas mais frequentemente que outras. Houve uma certa altura que falava várias vezes com uma senhora, dos seus 84 anos e com uma lucidez fantástica. Falávamos alguns minutos, e despedia-me com um sorriso, esperançoso de nova conversa. Era agradável ver uma senhora com 84 anos assim tão lúcida e independente. Até ao dia que chego à porta, e espero como sempre fazia, para que me aparecesse. Mas quem apareceu foi outra pessoa, a dizer que a senhora tinha falecido. Tristeza.
Hoje a notícia foi outra. Aquela senhora a quem eu tocava a campainha para me abrir a porta e entrar no prédio, ou que passava por mim lá perto e me dizia com um sorriso "deixei a porta aberta para o Sr. entrar...", ou que mesmo que me visse me cumprimentava sempre com um largo sorriso, essa senhora faleceu. Cancro. Ainda há um mês me sorria diariamente, até que o organismo começou a falhar, muito rapidamente. É triste.
Não posso esquecer também um dia em que cheguei ao pé de um amigo que me disse "o meu pai faleceu hoje", deixando-me sem reacção, e muito triste.
E eu pergunto-me, será que podemos ter a certeza que haverá amanhã? Será que amanhã estaremos entre as pessoas de quem gostamos, ou que elas estarão connosco? Tenho pensado nisso.
Aflige-me pensar que a qualquer momento me pode dar um ataque cardíaco inesperado, que posso cair de moto e não me levantar, ou que posso ir na estrada e levar com algum objecto/veículo que me pára o movimento para sempre. Penso também que pode acontecer algo assim à minha mãe, aos meus amigos. Imaginem por momentos... Perante isto, questiono-me porque temos nós atitudes tão frias para os que nos são importantes. Chateamo-nos, discutimos, temos atritos! E para que? Para que perdemos tempo com atitudes que nos entristecem, que nos magoam? Vale a pena? Amanhã podemos já cá não estar, ou podemos já não ter a presença de alguém... É muito triste...
Façam valer o tempo que estão por cá, mostrem que gostam dos vossos familiares, amigos. Cumprimentem os amigos com um "Olá, como estás?" e esperem pela resposta. Respondam também. Digam à vossa mãe, pai, avós, e a todos os familiares que estimam que gostam deles, que vos são importantes. Estejam com os que vos são importantes. Façam programas juntos, vão a cafés, festas, passeios, eventos.
Façam também valer a amizade que por vós sentem. Se estão em casa e vos convidam para café, se ias dormir mas algum amigo quer falar, se há algo que preferias amanha mas um amigo marca hoje, se alguém quer estar contigo a certa hora e tens de te apressar, se te convidam para uma festa de anos a 40km, se vos fizerem isto e muito mais não respondam que não podem, que não vos apetece ou que não estão para isso. Façam um esforço, dêem um pouco de vós, por alguém que vos quer por perto. Pensem que pode ser um esforço para vocês, mas também que poderá ser a última oportunidade de estarem com alguém, de conversar e debater, de brincar e rir, ou de simplesmente dizer que prezam a sua amizade. Um NÃO pode ter muito impacto, quando o amanhã pode não chegar...

Publicada por Unknown à(s) 01:10

2 comentários

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Michael Jackson e Conrad Murray

Foi hoje conhecido o veredicto do caso do médico de Michael Jackson, Conrad Murray. Foi considerado culpado pela morte do cantor, culpado de homicídio involuntário , podendo ser sentenciada uma pena até 4 anos de prisão.
Ora, este é para mim um assunto que me divide. Todos nós sabemos como são os artistas famosos. Todos eles têm excentricidades e exigências do mais esquisito que pode haver. Uns não entram no seu camarim se não tiver lá um vaso de orquídeas brancas, outros não cantam se não rezarem 26 Avé Marias antes do espectáculo, outros só actuam com aquele par de boxers. Sim, são exemplos sobejamente esquisitos, mas não descuro a hipótese de algum ser verdadeiro. Mas o que quero eu dizer com isto? Quero dizer que o famoso e fantástico Michael Jackson já nos tinha habituado a umas excentricidades à imagem dele. Era do tipo de pessoa que se queria algo tinha de ter. Se dizia "Quero", alguém tinha de o fazer.
E chego ao médico Murray. Sendo ele médico de uma pessoa como o Michael eu pergunto-me até que ponto seria "forçado" a satisfazer as exigências do cantor!!! Lembro-me de há tempos ter visto uma grande entrevista com o cantor, e bem vi eu a cena que ele fez ao ser contrariado. Pois bem, o cantor já há algum tempo que se queixava de não conseguir dormir, e que tinha de dormir bastante e muito bem para se aguentar nos espectáculos, ou mesmo na sua vida pessoal. Face a isto, o médico deve ter visto como única maneira de ajudar o cantor, a administração daquele medicamento potente. E aqui é onde me divido. Não sei bem até que ponto o médico terá sido verdadeiramente culpado pela morte do cantor. Quem me diz a mim que Murray não deixou de avisar Jackson sobre os efeitos do medicamento? Ou quem é que me convence que o cantor seguiu à risca os bons concelhos do médico?
Na verdade eu acredito que o médico tenha sido pressionado a arranjar um soporífero potente. Acredito também que na sua ânsia de dormir o cantor tenha administrado a si próprio o medicamento, neste caso em excesso, levando à sua morte.
Indo de encontro à maioria das opiniões, ponho a hipótese de Murray ter sido uma vítima do poder de Michael. Todos nós sabemos que estes famosos conseguem ter tudo, basta quererem...
Fica a minha dúvida...

Publicada por Unknown à(s) 22:50

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domingo, 21 de agosto de 2011

Facebook

O Facebook... Perdoem-me palavras mais acesas, conjunções mais desfasadas, mas na verdade escrevo para demonstrar em parte o meu desagrado com o Facebook.
Lembro-me como foi aparecendo este movimento, este site, que a pouco e pouco retirou utilizadores ao Hi5 e MySpace, por exemplo. Pouco mais era do que o Hi5 na altura, mas com a inclusão de aplicações até então sem uso, conseguir "roubar" as pessoas para o Facebook.
Era ao início outro meio de ter um perfil, ter os seus amigos, partilhar vivências, fotos, vídeos, jogos, e muito mais.. Era também maneira de conhecer pessoas que partilham os mesmo gostos ou vivências. Era uma porta para a interacção...
Mas o que começou a acontecer? A pouco e pouco começou a notar-se um desejo imenso de aumentar a "lista de amigos". Parece um desafio, ter a lista de amigos maior... Não interessa se se conhece a pessoa. Se tiver algo que agrade, lá vai convite. Dei por mim a receber convites de pessoas que nunca tinha visto ou falado na vida, e quando lhes perguntava o motivo do convite, simplesmente não obtinha resposta. Exemplo prático: Vejo uma pessoa que tem um perfil com o qual me identifico. Meto conversa, explico a razão de estar a mandar mensagem. Entretanto envio um convite de amigo. Pois bem, aceita o convite, mas não obtenho qualquer resposta. Para esta pessoa deve ser "boa, tenho mais uma pessoa na lista". Não continuando a responder, recebo passado uns tempos um convite para apoiar uma causa. E eu pergunto, será que o Facebook virou um meio onde impera o interesse e egoísmo? A resposta para mim é SIM,sem dúvida...
Continuando, e pouco havendo a fazer pelas longas listas de "amigos", algumas atingindo as largas centenas ou mesmo milhares de desconhecidos reais, surge outro problema... As partilhas e publicações...
Lembrando que o Facebook serve também para partilharmos o que desejamos, ou fazer convites, e outras coisas mais, o que acontece quando partilhamos assuntos com amigos reais que têm as tais listas de centenas de "amigos"? Pois é, eu, o indivíduo "A" partilho ou convido os meus amigos reais "B" e "C". O que vai acontecer é que a minha mensagem rapidamente vai ser abafada pelos desconhecidos das listas deles que vão colocando mensagens. É ou não é verdade? De que vale eu publicar algo para os meus amigos verem, se após minutos a minha mensagem desaparece entre as publicações dos desconhecidos deles? Não vale a pena o esforço...
Resumindo, há certos aspectos no Facebook que me fazem confusão. Vastas listas de desconhecidos e publicações perdidas são umas delas. Mais mais virão...

Publicada por Unknown à(s) 18:13

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